quinta-feira, 4 de março de 2010

Poesia Matemática

Romance matemático


Dê-me o silêncio...
Para eu dizer que nosso romance é como uma equação
Em que ponho-me, insistentemente;
A descobrir o valor de sua incógnita.
Dê-me o silêncio...
Para eu derrubar todos os axiomas;
Que insistem em dizer que nosso amor é impossível.
Dê-me o silêncio...
Para eu dizer que você é o pivô de minha matriz escalonada;
Que cada virtude que encontro em você
É um determinante para nossa relação.
Dê-me o silêncio...
Para eu dizer que a função que rege minha vida
Consiste em que cada elemento do seu domínio
Está associado a um elemento de meu contra-domínio.
Dê-me o silêncio...
Para eu te mostrar que nossas retas paralelas se encontrarão no infinito.
Dê-me o silêncio...
Para eu dizer que quando contemplo a imagem de seu corpo,
Meus batimentos cardíacos modelam uma cossenóide.
Dê-me o silêncio...
Para te provar que embora sejamos ângulos opostos pelo vértice,
nossas medidas são iguais.
Nesse instante me calo e quem diz tudo é você.

Andreson Costa dos Santos Souza e Alex Bruno Carvalho dos Santos

Fórmula do amor


Se você me amasse...
Um terço do que te amo.
Já teria me dado,
O que tanto reclamo.
E nosso amor...
Então se multiplicaria,
E hoje seria,
O dobro do dobro.
Portanto... O quadrado,
Do que ambos somados já tinham.

Mas...
A aritmética não falha.
E em nossas vidas.
Quanto mais eu te somo,
Mais você me subtrai.
Quanto mais eu te multiplico,
Mais você me divide.
E ao final...
Tu ficas com o quociente.
E eu... sou o resto.
E só depois de fracionado!
Em milhões de pedaços...
É que você finalmente me descarta.

Na minha fórmula do amor
Eu te dou tudo.
Muito embora,
Eu não tenha nada.
Na sua!
Nada pretendes me oferecer.
Muito embora,
Tudo que eu queira.
Seja apenas seu amor!

Ah! Matemática...
Ciência exata e precisa,
De formulas complicadíssimas.
Deveras tão simples...
Ante as proposições,
Que regem os trâmites do amor.

Jaime Aparecido Donizeti Privatti

Coração geométrico


Um coração é um ponto solitário,
Em um plano cartesiano imaginário,
Vagando triste em busca de seu par.
Se encontra outro ponto, surge a reta,
Dois corações unidos numa meta,
Se amando par a par.
No entanto, se outro ponto aparece,
E em trajetória dessa reta desce,
Cruzando velozmente sem parar,
Não trio amoroso, isto é insano,
Geometricamente forma apenas plano,
Criado para os pontos abrigar.
E nesta harmonia estabelecida,
Os pontos formam retas, em partida,
Prá juntos, bem alegres caminhar.
Figuras hiperbólicas vão se formando,
Cilindros, cones, cubos, e girando,
Lindas esferas, doidas a bailar.
Miríades de ângulos adjacentes,
Perpendiculares, medianas e tangentes,
Formam cascatas a revolutear.
E nesse volitar de entes geométricos,
Eu me encontro, simples ponto a buscar,
Nos espaços infinitos, quilométricos,
De todos os quadrantes paramétricos,
Um coração a quem eu possa amar.

Fadlo Dualibi Neto

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